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abril 20, 2011 § 1 comentário

      Esse Blog tem como principal objetivo dar uma ideia geral dos trabalhos relacionados com o desenvolvimento do Cristianismo Budista, cujo símbolo é a Roda e a Cruz. Todos estão convidados a contribuir livremente com comentários, críticas e questões.

      Ao lado, à esquerda, temos os principais temas de estudo com algumas informações à título de descrição sintética desses temas, que são: Cristianismo Budista, Evangelho da Interpretação, Humanitarismo, Filosofia Perene e Vegetarianismo.  À direita, em Temas, se encontra o arquivo com as postagens de cada assunto.

Om mani padme hum – Christi simus non nostri

A Roda e a Cruz
Encontro do Budismo com o Cristianismo
Base para uma fé (fides, fidelidade) verdadeira
Uma verdadeira fidelidade na sintonia com a Luz
A Luz no Alto e a Luz dentro de nós

A Roda e a Cruz
O Buda-Cristo em nós, esperança de Glória
Matriz da nova cultura do Humanitarismo
De uma doutrina social simples, justa e lógica
E das novas instituições para harmonia no mundo

Citações sobre o Cristianismo Budista

novembro 17, 2010 § Deixe um comentário

          “Em resumo, não são dois Evangelhos, mas dois aspectos, o externo e o interno, de um mesmo Evangelho. Pois o Budismo encontra sua tradução e complementação no Cristianismo, e o Cristianismo encontra sua concepção e seu alicerce no Budismo”. [The Living Truth in Christianity (A Verdade Viva no Cristianismo), pp. 26-27]

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            “O Cristianismo foi introduzido no mundo com uma relação especial com as grandes religiões do Oriente, e sob a mesma regência divina. E muito longe de ser concebido como um rival e suplantador do Budismo, ele era a direta e necessária continuação desse sistema. E os dois são apenas partes de um todo contínuo e harmonioso, no qual a parte que veio por último é somente o indispensável acréscimo e complemento da parte que veio anteriormente. (…)

            Se não fosse por Buda, não poderia ter havido Jesus, nem teria ele sido suficiente para atender ao homem integral; pois o homem deve ter a Mente iluminada antes que as Afeições possam ser despertadas. Nem teria sido o Buda completo sem Jesus. Buda completou a regeneração da Mente; e por meio de sua doutrina e prática os homens são preparados para a graça que vem por meio de Jesus. Motivo pelo qual nenhum homem pode ser propriamente cristão, se não for também e primeiramente budista.

            Assim, as duas religiões constituem, respectivamente, o aspecto exterior e o aspecto interior do mesmo Evangelho, os alicerces estando no Budismo – incluindo nesse termo o Pitagorianismo – e a iluminação estando no Cristianismo. E da mesma forma que sem o Cristianismo o Budismo está incompleto, assim também o Cristianismo sem o Budismo é ininteligível”. [The Perfect Way; or, the Finding of Christ (O Caminho Perfeito; ou, a Descoberta de Cristo), pp. 250-251]

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            “Do mesmo modo que não fazia parte do projeto dos Evangelhos representar o percurso inteiro do Homem Regenerado, também não fazia parte desse projeto fornecer, no que diz respeito à vida e doutrina religiosa, um sistema integral e completo, independentemente dos que o antecederam.

            Por ter uma relação especial com o Coração e o Espírito do Homem, e dessa forma com o núcleo da célula e com o Santo dos Santos do Tabernáculo, o Cristianismo, em sua concepção original, delegou a regeneração da Mente e do Corpo (…), ou o dualismo exterior do Microcosmo, a sistemas já existentes e amplamente conhecidos e praticados.

            “Esses sistemas eram dois em número, ou melhor, eram como dois modos ou expressões do sistema uno, cujo estabelecimento constituiu a “Mensagem” que antecedeu o Cristianismo pelo período cíclico de seiscentos anos. Esse sistema era a Mensagem na qual os “Anjos” estiveram representados em Gautama Buda e Pitágoras.

            No caso desses dois profetas e redentores, praticamente contemporâneos, o sistema era, tanto na sua doutrina quanto na sua prática, essencialmente um e o mesmo. E suas relações com o sistema de Jesus, como seus necessários pioneiros e antecessores, encontram reconhecimento nos Evangelhos na alegoria da Transfiguração.

            Os personagens que aparecem nesse evento – Moisés e Elias – são correspondentes hebraicos de Buda e de Pitágoras. E eles são descritos como tendo sido vistos pelos três apóstolos nos quais são representadas, respectivamente, as funções distintamente exercidas por Pitágoras, por Buda e por Jesus; ou seja, Obras, Compreensão e Amor, ou Corpo, Mente e Coração.

            E pela sua reunião no Monte está representada a união dos três elementos, e a complementação de todo o sistema abrangido pelos três por Jesus, como o representante do Coração ou daquilo que é Mais Interno, e, em um sentido especial, como o “amado Filho de Deus”.

            O Cristianismo, então, foi introduzido no mundo com uma relação especial com as grandes religiões do Oriente, e sob a mesma regência divina. E muito longe de ser concebido como um rival e suplantador do Budismo, ele era a direta e necessária continuação desse sistema. E os dois são apenas partes de um todo contínuo e harmonioso, no qual a parte que veio por último é somente o indispensável acréscimo e complemento da parte que veio anteriormente”. [The Perfect Way; or, the Finding of Christ (O Caminho Perfeito; ou, a Descoberta de Cristo), pp. 249-251]

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            “Pois o fato é que a doutrina de Buda, com suas Quatro Nobres Verdades, e seu Nobre Óctuplo Caminho, sua ilimitada compaixão em relação a toda a vida senciente, seu lógico ensinamento ético de desenvolvimento através da conquista de si mesmo e da autocultura, sua simples e não obstante profunda análise do sofrimento e da tristeza com o método da libertação desses (…), sua regeneração completa da mente, seus elevados códigos de moralidade e padrão de tolerância, paz e caridade – essa doutrina é a indispensável precursora e intérprete da doutrina de Cristo”. (A Verdade Viva no Cristianismo, p. 26)

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            “… não fazia parte desse projeto [do Cristianismo original] fornecer, no que diz respeito à vida e doutrina religiosa, um sistema integral e completo, independentemente dos que o antecederam.

            (…) o Cristianismo, em sua concepção original, delegou a regeneração da Mente e do Corpo (…), ou o dualismo exterior do Microcosmo, a sistemas já existentes e amplamente conhecidos e praticados.

            Esses sistemas eram dois em número, ou melhor, eram como dois modos ou expressões do sistema uno, cujo estabelecimento constituiu a “Mensagem” que antecedeu o Cristianismo pelo período cíclico de seiscentos anos. Esse sistema era a Mensagem na qual os “Anjos” estiveram representados em Gautama Buda e Pitágoras.

            (…) suas relações com o sistema de Jesus, como seus necessários pioneiros e antecessores, encontram reconhecimento nos Evangelhos na alegoria da Transfiguração.

            Os personagens que aparecem nesse evento – Moisés e Elias – são correspondentes hebraicos de Buda e de Pitágoras. Eles são descritos como vistos pelos três apóstolos nos quais são representadas, respectivamente, as funções distintamente exercidas por Pitágoras, por Buda e por Jesus; ou seja, Obras, Compreensão e Amor, ou Corpo, Mente e Coração. (…)

            O Cristianismo, então, foi introduzido no mundo com uma relação especial com as grandes religiões do Oriente, e sob a mesma regência divina. E muito longe de ser concebido como um rival e suplantador do Budismo, ele era a direta e necessária continuação desse sistema. E os dois são apenas partes de um todo contínuo e harmonioso, no qual a parte que veio por último é somente o indispensável acréscimo e complemento da parte que veio anteriormente.

            Buda e Jesus são, portanto, necessários um ao outro. E no sistema integral assim completado Buda é a Mente e Jesus é o Coração; Buda é o geral, Jesus é o particular, Buda é o irmão do universo, Jesus é o irmão dos homens; Buda é a Filosofia, Jesus é a Religião; Buda é a Circunferência, Jesus é o Interno; Buda é o Sistema, Jesus é o ponto de Radiação; Buda é a Manifestação, Jesus é o Espírito; em síntese, Buda é o “Homem”, Jesus é a “Mulher”.

            Se não fosse por Buda, não poderia ter havido Jesus, nem teria ele sido suficiente para atender ao homem integral; pois o homem deve ter a Mente iluminada antes de que as Afeições possam ser despertadas. Nem teria sido o Buda completo sem Jesus. Buda completou a regeneração da Mente; e por meio de sua doutrina e prática os homens são preparados para a graça que vem por meio de Jesus. Motivo pelo qual nenhum homem pode ser propriamente cristão, se não for também e primeiramente budista.

            Assim, as duas religiões constituem, respectivamente, o aspecto exterior e o aspecto interior do mesmo Evangelho, os alicerces estando no Budismo – incluindo nesse termo o Pitagorismo – e a iluminação estando no Cristianismo. E da mesma forma que sem o Cristianismo o Budismo está incompleto, assim também o Cristianismo sem o Budismo é ininteligível.

            (…) da união espiritual na fé una do Buda e do Cristo nascerá a redenção vindoura do mundo.

            (…) Aqueles que buscam casar Buda a Jesus são do celestial e superior; e aqueles que se interpõem ou se objetam ao casamento são do astral e do inferior”. [The Perfect Way; or, the Finding of Christ (O Caminho Perfeito; ou, a Descoberta de Cristo), p. 249-256]

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            “É tão somente a doutrina do Karma e da continuidade das existências que explica as desigualdades e desarmonias da vida e que justifica a Justiça Divina. E, vista desse ponto de vista, a vida tem uma amplitude muito maior do que aquela que é compatível com a ideia de uma única existência, e que torna a alma independente da disciplina da experiência terrena, uma vez que tal experiência é completamente negada para um vasto número daqueles que morrem na infância. O fato de que as escrituras cristãs não reconheçam explicitamente essa doutrina não representa nenhum argumento contra o fato de que ela seja uma doutrina cristã. Essa doutrina já estava no mundo no Budismo; e o Cristianismo, como o complemento e o coroamento do Budismo, não tinha nenhuma necessidade de reiterá-la”. [The Credo of Christendom (O Credo do Cristianismo), pp. 143-144]

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            “A fé cristã é a herdeira direta da velha fé romana. Roma foi a herdeira da Grécia, e a Grécia do Egito, de onde se originaram o legado de Moisés e o ritual hebraico.

            O Egito foi apenas o foco de uma luz cuja verdadeira fonte e centro era o Oriente em geral – Ex Oriente Lux. Pois o Oriente, em todos os sentidos, geograficamente, astronomicamente e espiritualmente, é sempre a fonte de luz.

            Mas, embora originalmente derivada do Oriente, a Igreja de nossos dias e de nosso país é modelada diretamente a partir da mitologia greco-romana, e de lá retira todos os seus ritos, doutrinas, cerimônias, sacramentos e festivais.

            Portanto, a exposição que será feita sobre o Cristianismo Esotérico tratará mais especificamente dos mistérios do Ocidente, uma vez que suas ideias e sua terminologia são para nós mais atrativas e próximas do que as concepções não artísticas, a metafísica não familiar, o espiritualismo melancólico e a linguagem pouco sugestiva do Oriente.

            Extraindo sua essência-vital diretamente da fé pagã do velho mundo Ocidental, o Cristianismo mais proximamente se parece com seus pai e mãe imediatos, do que com seus ancestrais remotos, e será, então, melhor exposto com referência a suas fontes da Grécia e de Roma, do que com referência a seus paralelos bramânicos e védicos.

            A Igreja cristã é católica, ou então ela não é nada que mereça, em absoluto, o nome de Igreja. Pois católico significa universal, todo-abarcante: – a fé que sempre e em todos os lugares foi recebida. A prevalecente visão limitada desse termo é errada e prejudicial.

            A Igreja cristã foi inicialmente chamada de católica porque ela abarcava, compreendia e tornou seu o passado religioso de todo o mundo. Reunindo em sua figura central – do Cristo – e em torno dessa figura todas as características, lendas e símbolos até então pertencentes às figuras centrais das dispensações anteriores, proclamando a unidade de toda aspiração humana, e formulando em um grande sistema ecumênico as doutrinas do Oriente e do Ocidente.

            Assim, a Igreja católica é védica, budista, zend-avesta e semítica. Ela é egípcia, hermética, pitagórica e platônica. Ela é escandinava, mexicana e druídica. Ela é grega e romana. Ela é científica, filosófica e espiritual.

            Encontramos em seus ensinamentos o panteísmo do Oriente, e o individualismo do Ocidente. Ela fala a língua e pensa os pensamentos de todos os filhos dos homens; e em seu templo todos os deuses estão em um lugar sagrado.

            Eu sou vedantina, budista, helenista, hermética e cristã, porque eu sou católica. Pois nessa única palavra todo o Passado, Presente e Futuro estão abarcados.

            Como Santo Agostinho e outros dos Padres (Pais) da Igreja verdadeiramente declararam, o Cristianismo não contém nada de novo a não ser o seu nome, estando próximo dos antigos desde o seu início. E as várias seitas, que retém apenas uma porção da doutrina católica, são apenas como cópias incompletas de um livro, do qual capítulos inteiros foram retirados, ou como representações de uma peça teatral na qual apenas alguns de seus personagens e de suas cenas foram mantidos”. [The Credo of Christendom (O Credo do Cristianismo), pp. 94-96]

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            “Agora, uma das mais deploráveis características do Sacerdotalismo é sua habitual intolerância a todas as outras formas de fé e sistemas religiosos, a despeito de sua antiguidade, autenticidade, semelhanças fundamentais e credibilidade.

            O Sacerdotalismo não os vê como amigos, mas como rivais e inimigos; que não devem ser entendidos, apreciados e – ao menos em parte – assimilados, mas que devem ser ignorados, depreciados e contestados.

            Essa atitude é justificada pelo Sacerdotalismo como sendo zelo por seus próprios princípios particulares, mas isso, na verdade, não é nada mais que intolerância nascida da ignorância.

            Exatamente essa atitude em relação àquele sistema religioso em particular denominado de Budismo, que precedeu o advento do Cristianismo por cerca de cinco ou seis séculos, tem sido algo próximo de uma atitude suicida ao real sucesso do Cristianismo, tendo se provado desastrosa para sua capacidade de influenciar a todos, exceto aos ignorantes e elementares, aos preconceituosos e às classes conservadoras ainda dominadas pelo Sacerdotalismo.

            Pois o fato é que a doutrina de Buda, com suas Quatro Nobres Verdades e seu Nobre Óctuplo Caminho, sua ilimitada compaixão em relação a toda a vida senciente, seu lógico ensinamento ético de desenvolvimento através da conquista de si mesmo e da autocultura, sua simples e não obstante profunda análise do sofrimento e da tristeza, com o método da libertação desses estando disponível a todos, sua regeneração completa da mente, seus elevados código de moralidade e padrão de tolerância, paz e caridade – essa doutrina é a indispensável precursora e intérprete da doutrina de Cristo. Em resumo, não são dois Evangelhos, mas dois aspectos, o externo e o interno, de um mesmo Evangelho. Pois o Budismo encontra sua tradução e complementação no Cristianismo, e o Cristianismo encontra sua concepção e seu alicerce no Budismo.

            Visto dessa forma, o Cristianismo, como religião, assume a obra de aperfeiçoar o homem em seu coração, a partir daquele grau de regeneração parcial a que o Budismo, como filosofia, já o conduziu em sua mente; e assim o Cristianismo descreve e trata apenas dos estágios finais de todo o grande trabalho.

            Se isso fosse reconhecido, as sérias deficiências referentes às bases, e aquelas falhas racionais, intelectuais e morais que confrontam os estudantes ponderados e imparciais do sistema cristão, seriam amplamente reconhecidas, e um passo adiante seria dado em direção à reabilitação, enquanto um todo vivo, da tão mutilada fé.

            Quão pouco conhecem o Cristianismo aqueles que conhecem somente um Jesus histórico, e deixam de levar em conta o caminho de Buda, como uma escada que deve ser subida para que se alcance o estado de Jesus!” (A Verdade Viva no Cristianismo, pp. 26-27)

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Fonte: O Resgate do Cristianismo Budista: A Relevância da Mensagem da Dra. Anna Kingsford, Roda e Cruz, 2010
http://www.anna-kingsford.com/portugues/outras_obras_relacionadas/obras_relacionadas/OOR-P-ColoquioAK/index.htm

Fraternidade Universal e Princípios Básicos

março 22, 2010 § Deixe um comentário

           Como podemos eficazmente ensinar ou levar ao mundo tanto o conhecimento decisivo do princípio ou lei da fraternidade universal, quanto outros princípios filosófico-religiosos básicos, os quais, de fato, também são importantíssimos, inclusive porque elucidam a lei que revela a humanidade como uma fraternidade universal? Inicialmente, vejamos uma citação de Annie Besant:

            “Para compreender a Fraternidade, devemos lembrar que a evolução se realiza por meio da reencarnação e sob a lei do carma. (…) Na medida que as ideias da reencarnação e do carma conquistarem as mentes do mundo ocidental, que tem o hábito de aplicar princípios à prática, penso que a Fraternidade sob a lei da reencarnação e do carma resolverá muitos dos problemas sob os quais o mundo está padecendo, em nosso tempo.” (Os Ideais da Teosofia, p. 25)

            Cabe lembrarmos da frase na, assim chamada, Carta do Sr. Maha-Chohan onde se afirma que a humanidade não poderá evitar terríveis crueldades e atrocidades “senão por meio da influência suavizadora de uma fraternidade, e da aplicação das doutrinas esotéricas do Buda”.

            Vemos, portanto, a necessidade de junto com o ensinamento da fraternidade universal serem transmitidos conhecimentos básicos verdadeiros, quer em termos filosófico-religiosos, quer em termos científicos, que sejam coerentes e corroborem essa lei-princípio fundamental.

            É especialmente importante que esses conhecimentos sejam apresentados de uma forma apropriada e já moldada para serem aplicados na prática de nossas vidas diárias e, a partir daí, nas principais instituições que organizam as sociedades como um todo. Esse aspecto de que o conhecimento deve ser apresentado de uma forma adequada é muito importante. Como escreveu o Dr. I.K. Taimni, de um modo geral, visamos:

“(…) mudar pensamentos e atitudes das pessoas no mundo, de modo que a humanidade esteja apta a dar o próximo passo na evolução (…) Qualquer pessoa que esteja em contato com os problemas urgentes que a humanidade enfrenta nos dias de hoje, pode ver logo, se os examinar profundamente, que a principal dificuldade na sua solução e no estabelecimento de melhores condições está nos hábitos errados de pensamento e nas atitudes pervertidas que prevalecem por toda a parte.” (Princípios do Trabalho Teosófico, p. 5)

            E a fim de que o conhecimento seja capaz de promover mudanças desse tipo ele deve se revestir de uma forma apropriada, pois como também explicou Taimni:

            “Não basta que as ideias em nossa mente sejam de boa qualidade, também devemos estar seguros de que tenham uma forma apropriada – clara, precisa e classificada. Somente então podemos usá-las com facilidade e proveito. Ideias vagas e fatos não classificados, ainda que de grande valor, não podem ser usados em um pensamento de nível superior ou na solução dos problemas reais da vida. Essas ideias se assemelham a pedras preciosas ainda não lapidadas nem polidas que, embora de grande valor, não podem ser usadas na joalheria.” (Autocultura à Luz do Ocultismo, p. 111)

            Essa forma apropriada também implica que o conhecimento seja relacionado com os problemas reais e, desse modo, seja moldado para ser aplicado em termos práticos na vida. Essa tarefa de adequação do conhecimento a fim de que possa ser aplicado praticamente é da maior importância, conforme fica claro pela ênfase a ela atribuída por um dos Adeptos na seguinte passagem:

            “O problema da verdadeira Sabedoria Divina (Teo+sofia) e sua grande missão é a elaboração de claras e inequívocas concepções de ideias éticas e de deveres, as quais possam mais e melhor satisfazer os sentimentos retos e altruísticos em nós; e a moldagem dessas concepções para a sua adaptação em tais formas de vida diária onde elas possam ser aplicadas com mais equidade. Tal é o trabalho comum em vista para todos os que desejem agir de acordo com esses princípios.” (Letters from the Masters of the Wisdom, 2nd Series, n. 82, p. 158)

            Mas que princípios básicos são esses, que devem ser moldados para serem aplicados na “elaboração de claras e inequívocas concepções de ideias éticas e de deveres”? São princípios como o da existência de uma lei de Justiça Divina (lei do Carma), a qual mostra que o ser humano é quem cria de forma absoluta a sua própria glória ou miséria; como o da lei da Reencarnação, que nos revela uma vida muito maior do que uma única existência corporal, pois sem a noção de uma sucessão de encarnações a grande lei do Carma se torna ininteligível; ou ainda, do ensinamento a respeito das infinitas possibilidades de evolução espiritual do ser humano, que são a herança comum de toda a humanidade. Esses conhecimentos, finalmente, requerem o ensinamento de uma Paternidade-Maternidade comum ou de uma Unidade de Consciência Divina subjacente a todo o universo manifestado.

            Vejamos uma passagem da Sra. Blavatsky a esse respeito

            “Estudante: – Há outras causas, (…) que possam operar no sentido de reverter a presente tendência em direção ao materialismo?

            “Sábio: – Tão somente a difusão do conhecimento das leis do Carma e da Reencarnação e de uma crença na absoluta unidade espiritual de todos os seres é que evitará essa tendência.” (Collected Writtings, vol. IX, p. 103)

            Ainda outra passagem onde a Sra. Blavatsky reitera a mesma idéia:

“(…) se as doutrinas da Reencarnação e do Carma, em outras palavras, da Esperança e da Responsabilidade, encontrarem guarida nas vidas das novas gerações, então, de fato, raiará o dia da alegria e do contentamento para todos aqueles que agora sofrem e são excluídos.” (Collected Writtings, vol. XI, p. 202)

Fonte: Teosofia e Fraternidade Universal
http://www.anna-kingsford.com/portugues/Biblias_Abertas/OB-P-TeosofiaeFraternidade-web.htm

Uma entrevista sobre Vegetarianismo e Cristianismo

março 11, 2010 § 1 comentário

Vegetarianismo e Cristianismo

Entrevista de Arnaldo Sisson Filho à jornalista Viviane Pereira

Em sua opinião, na questão religiosa, por que é importante ser vegetariano?

Dentro do tipo de cristianismo que pratico, baseado nas interpretações e iluminações místicas da Dra. Anna Kingsford, destacaria dois aspectos; o primeiro está dentro da frase do apóstolo Paulo quando escreveu: “Não vos iludais, de Deus não se zomba. De acordo com o que semeardes, assim colhereis.” Essa é a lei da Justiça Divina. Então, nesse primeiro aspecto, se semearmos dor, não colheremos felicidade, alegria, mas sim colheremos dor. É só olhar para o mundo e perceber isso. Semeamos dor e colhemos dor.

O segundo é que a alimentação baseada na carne embrutece, ou, alegoricamente, mata, nossos sentidos mais nobres, isto é, nossas intuições, ou nossa percepção espiritual.

Nossos veículos, tanto o físico quanto os psíquicos, são as lentes por meio das quais vemos o universo, o mundo. Se não forem sensíveis (o que depende, inicialmente, de uma alimentação pura e vitalizante), trocaremos nossa herança divina por um mísero prato de lentilhas, como na parábola bíblica.

Você acredita que a religião pode influenciar a pessoa para escolher uma dieta vegetariana?

Seguramente. Se uma religião não fizer isso, não merece sequer o nome de religião. O que vemos hoje em nosso país, majoritariamente, não é religião, mas sim “re-perdição”.

Cristianismo é fazer nascer e crescer em nós o Cristo Jesus que há em nosso interior. Novamente, na linguagem do apóstolo Paulo, “o Cristo em nós, a esperança de glória”. Isso depende, basicamente, de pureza e bondade em nossas vidas.

O comer carne é o oposto disso, é impureza e crueldade. É o predomínio do materialismo, dos sentidos externos, da ilusão de que é possível nos beneficiarmos por meio da dor alheia. Enquanto não acordarmos para isso, a dita religião continuará, na verdade, re-perdição: cegos perdidos conduzindo cegos também à perdição da cegueira espiritual.

E o vegetarianismo, como regra geral, é o ABC desse processo de aproximação do ser humano a Deus, do nascimento do Cristo em nós, da luz divina que nasce no seio de nossas almas e de nossas mentes.

Você acha que as religiões devem determinar ou indicar aos seus seguidores que sigam uma dieta vegetariana?

Como disse, isso é o início, o alicerce, o ABC da vida religiosa. É verdade que o que sai de nossas bocas é mais importante do que aquilo que entra por nossas bocas. Isso, contudo, não significa que o que entra por elas não seja importante. Significa apenas que o que pensamos e falamos é mais importante ainda.

Sua religião tem tradição em vegetarianismo?

Infelizmente a tradição vegetariana dos primeiros cristãos, que era muito forte, ao longo dos séculos ficou quase perdida. Ela, no entanto, era muito forte entre o cristianismo dos primeiros tempos, a ponto do apóstolo Paulo se ver obrigado a intervir, de forma conciliadora e fraternal, entre grupos que se acusavam mutuamente, uns vegetarianos e outros não.

Nesse sentido, entre outros, vemos a importância da obra da Dra. Anna Kingsford, uma grande mística e profeta cristã, ainda não reconhecida pelo cristianismo materialista e idólatra que predomina hoje, e desde muitos séculos.

Sua religião tem alguma determinação ou recomendação para que as pessoas sigam o vegetarianismo? Em caso afirmativo, por quê?

Penso que a melhor forma que posso responder é trazendo algumas palavras da Dra. Kingsford e de seu grande colaborador Edward Maitland:

            “Em todos os lugares na cristandade católica os pobres e pacientes animais, que não podem falar, suportam todas as espécies de tormentos sem uma única palavra ser pronunciada em sua defesa pelos instrutores da religião. Isso é horrível – é deplorável. E a razão para tudo isso é que os animais são popularmente considerados como não possuindo almas. Digo, então, parafraseando as palavras de Voltaire que “se fosse verdade que eles não possuem almas, seria necessário inventar almas para eles”. A Terra se tornou um inferno para os animais por causa dessa doutrina. Vejam a vivissecção, e a tolerância da Igreja para com ela. (…) Quais sofrimentos são mais amargos do que os deles, quais injustiças tão profundas, e que necessidade de compensação tão espantosa? Como uma mística eu sei que os animais não são destruídos pela morte, mas se eu pudesse duvidar disso – digo isso solenemente – eu também deveria duvidar da justiça de Deus. Pois como eu poderia dizer que Deus seria justo para o homem se ele fosse tão amargamente injusto para com os queridos animais?”

(Vol. II, p. 312) [Anna Kingsford – Her Life, Letters, Diary and Work. 3ª. Edição, editada por Samuel Hopgood Hart. John M. Watkins, Londres, 1913. Vol. I, 442 pp.; Vol. II, 466 pp.]

            “Indo além dos limites dos iniciados e adentrando a esfera dos ignorantes, a religião sempre se tornou degenerada em alguma forma de adoração de fetiches, variando em seus graus de crueldade e sensualismo de acordo com o estado geral do povo e de seus sacerdotes. E essas duas regiões de sua manifestação, a interna e a externa, a espiritual e a material, a compassiva e a egoísta, a intuicional e a dos sentidos, se tornaram nas mãos dos seus respectivos representantes – o profeta e o sacerdote – tão essencialmente antagônicas uma à outra quanto a luz e a escuridão.

             “O profeta cultivando as intuições e a empatia, apelando diretamente para a alma e para Deus, representando o lado espiritual da natureza humana; enquanto o sacerdote, cultivando formas e aparências, apelando para os sentidos e o ser externo, e fazendo a salvação dependente do sacrifício de outros em prol de seu próprio ser, ao invés do sacrifício do ser inferior em prol do ser superior por meio de viver uma vida melhor.

             “O processo por meio do qual eu fui levado a descobrir a verdadeira natureza e fonte do conflito sempre furiosamente ocorrendo no mundo, entre a alma e os sentidos externos, entre o ser e a aparência, entre o profeta e o sacerdote – um processo no qual o abandono de uma dieta de carne foi uma parte essencial – se provou indispensável para minha preparação para o trabalho ao qual estava destinado a realizar.” (pp. 46 e 47) [Edward Maitland – The Soul and How It Found Me. Tinsley Brothers, Londres, 1877. 307 pp.]

             “A interrupção em meu trabalho foi causada por ter sido colocado sob um forte impulso de tomar parte nos esforços que estavam sendo feitos para salvar nossos irmãos animais dos horrores da vivissecção e dos laboratórios de pesquisa. Eu estava consciente de um claro estímulo espiritual para esse propósito, e sob sua influência fui capacitado para produzir algumas palavras de apelo que foram diretamente ao coração da Inglaterra. Pois as duas cartas que escrevi sobre esse assunto foram reimpressas aos milhares, tanto por sociedades quanto por indivíduos, e ambas serviram para conquistar novos adeptos da causa humanitária, e fortalecer as mãos dos trabalhadores então existentes dessa causa.

             “Ao uso que se fez de minha pessoa em favor da questão da vivissecção, e ao vívido insight que me foi dado acerca da verdadeira natureza da influência que se manifesta entre nós sob o nome de ciência materialista – como sendo uma encarnação do princípio do mal em seus mais baixos níveis e em seus mais abomináveis aspectos – eu posso claramente encontrar a causa da plena abertura da visão espiritual que me qualificou para o trabalho que em breve eu seria chamado a realizar. Pois me foi mostrado que os sacerdotes da ciência, possuídos pelo demônio do egoísmo, foram conduzidos a arrastar o mundo a um inferno pior do que jamais os sacerdotes da religião o tinham levado. E o princípio de ambos os sacerdotalismos era o mesmo – a busca da salvação do seu próprio ser por meio do sacrifício de outro.” (pp. 51-52) [Edward Maitland – The Soul and How It Found Me. Tinsley Brothers, Londres, 1877. 307 pp.]

Você acredita que ser vegetariano influencia na aproximação com Deus? Por quê?

Acho que já respondi antes: – porque purifica nossos veículos, facilitando sobremaneira a percepção espiritual, e porque é uma expressão do amor divino. Como disse um filósofo, o olho só pode ver o sol porque antes se fez semelhante a ele, ainda que em miniatura. Então, talvez possamos dizer que o homem só pode ver a Deus se se fizer semelhante a Ele, ainda que em miniatura. Penso que é isso que está no Sermão da Montanha:

“Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a Terra.

“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos”.

“Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.

“Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão o Deus.”

O vegetarianismo é o fundamento, a base dessa vida. O vegetariano chora e é manso para com nossos irmãos menores, os pequeninos, ele tem fome de justiça para com os pequeninos, ele é misericordioso para com eles, e é o início da purificação de nossos corações, mentes e corpos.

Por que você é vegetariano? A religião teve alguma influência sobre essa decisão?

Sou vegetariano por amor aos nossos irmãos menores. Somos para eles como seres semi-divinos, pois para eles nós detemos faculdades para-normais, por assim dizer. Se os tratamos de forma cruel, a Justiça Divina não nos trará bem-aventuranças, não nos trará a luz, a glória de Cristo, mas nos trará a dor, a tristeza e a cegueira espiritual.

Você acredita que Cristo era vegetariano? Em caso afirmativo, como explica o milagre da multiplicação de peixes? Você crê que comer carne não corresponde à visão de vida de Cristo?

Como dizia o próprio Cristo Jesus: “exceto para vocês (os seus discípulos ou apóstolos), eu não falo NADA que não seja em parábolas”. Os evangelistas seguiram o preceito do seu Mestre. Escreveram de forma alegórica seus evangelhos. A alegoria da multiplicação dos pães e dos peixes é uma linda parábola, onde o pão representa o conhecimento religioso superficial, e os peixes o conhecimento religioso profundo, místico. São símbolos milenares. E o alimentar em abundância as multidões com esses conhecimentos é característica dos Filhos de Deus, dos Cristos de todas as épocas e nações.

             A leitura literal dessa e de outras tantas parábolas é conseqüência da cegueira espiritual. Quando fazemos essa leitura literal, pretendendo ser fatos históricos o que é uma alegoria, cometemos, assim, um dos piores pecados, a idolatria. Adoramos a forma, e matamos o sentido vivificante.

Hoje é fato considerado mais do que provável que Cristo Jesus esteve com os essênios, ao menos em boa parte de sua vida. E os essênios eram todos vegetarianos.

 Se Cristo era vegetariano, por que nem todos os cristãos são, já que, em tese, seguem o caminho do Mestre Jesus?

Porque os que se chamam cristãos, desde muitos séculos, têm pouco de cristãos. São grupos dominados pelo materialismo e pela idolatria (pelos sentidos e pela cegueira espiritual). Nesse contexto, com grande freqüência os santos e profetas foram incompreendidos e às vezes até mesmo perseguidos pelos próprios ditos cristãos. Veja os exemplos, entre muitos e muitos outros, de Roger Bacon (aprisionado por longos anos), de Thomas More (aprisionado e decapitado), de Giordano Bruno (aprisionado e queimado), de Malagrida, o taumaturgo do Brasil (aprisionado por anos e queimado em Portugal pela “santa” Inquisição), e de Anna Kingsford, ridicularizada e desprezada até nossos dias. Todos por pessoas e grupos que se diziam e se dizem cristãos.

             Os símbolos sagrados do cristianismo precisam ganhar a vida de uma interpretação espiritualmente lúcida, isto é, cristã, ou crística. Como na profecia dos ossos secos que recobram a vida.

É o espírito dessa interpretação de vivifica a letra e os símbolos, e sua leitura literal e materialista mata, como escreveu o apóstolo Paulo. Mata primeiro espiritualmente, e depois fisicamente.

E a alimentação de carnes é uma expressão típica dessa matança. Pior do que ela só a tortura da vivissecção e dos testes da dita ciência usando os pequeninos inocentes e indefesos, a qual é a apoteose dessa cegueira espiritual dessa época idólatra e materialista.

 Você acha que se a comunidade cristã soubesse e/ou acreditasse que Cristo era vegetariano, mais pessoas deixariam de comer carne?

Certamente que sim. Mas como saberão se os seus líderes religiosos, a quem seguem, são cegos espiritualmente, que defendem a matança, a crueldade e até mesmo a tortura diabólica da vivissecção e dos testes ditos científicos com os pequeninos? A religião, algum dia, se tornará re-ligação com Deus, e deixará de ser, como hoje, re-perdição na idolatria e no materialismo.

 Explique um pouco sobre os principais conceitos e bases da sua religião.

Já algo foi dito, mas, resumindo: a religião do Cristo Jesus, no Alto, à direita do Pai, e também dentro de nós, em nossos corações e mentes, é a religião da pureza e da bondade. E o vegetarianismo é uma expressão, ainda que básica, desses preceitos eternos.

 Fique à vontade para acrescentar o que considerar necessário.

Apenas mais uma citação da Dra. Kingsford, que gosto muito:

             “Considero o movimento vegetariano o mais importante movimento de nossa época. Acredito nisso porque vejo nele o começo da verdadeira civilização. Minha opinião é que até o presente momento não sabemos o que significa civilização. Quando olhamos para os cadáveres dos animais, sejam inteiros ou cortados – que com molhos e condimentos são servidos em nossas mesas – não pensamos no horrível fato que precedeu esses pratos; e, não obstante, é algo terrível saber que a cada refeição que fazemos foi a custo de uma vida. (…) Milhares de pessoas são degradadas pela presença de abatedouros em suas vizinhanças, o que condena classes inteiras a uma ocupação aviltante e desumana. Aguardo pelo tempo em que a consumação do movimento vegetariano tenha criado homens perfeitos, pois vejo nesse movimento o alicerce da perfeição. Quando percebo as possibilidades do vegetarianismo e as alturas a que ele pode nos elevar, me sinto convencida de que ele se provará o redentor do mundo.” [Anna Kingsford – citada por Samuel H. Hart, em In Memoriam Anna Kingsford. Este livreto contém o texto completo da palestra proferida por ele para a Sociedade Vegetariana de Leeds, em 15 de setembro de 1946, na comemoração do Centenário do nascimento de Anna Kingsford.]

http://www.anna-kingsford.com/portugues/outras_obras_relacionadas/obras_relacionadas/OOR-P-SissonVegCristianismo.htm